Cultura e opulência do Brasil – Vinícius Torres Freire

Menos ignorante e desigual, mais inovador e com sorte, Brasil levaria 20 anos para ter renda de “países ricos”

Publicado na Folha de S.Paulo – 28-12-11

Vai ser engraçado se, em fevereiro, quando sair o resultado do PIB, a gente descobrir que o Brasil não se tornou a “sexta maior potência do mundo”, à frente do Reino Unido, assunto que causa certa comoção desde anteontem, quando a notícia foi ressaltada num jornal britânico.

Bastaria uma variação contrária de décimos de PIB e de centavos na taxa de câmbio do real e da libra pelo dólar para reverter o bafafá folclórico sobre o gigante que levantou do seu berço esplêndido (nós), agora tema até de propaganda de uísque escocês (britânico, por tabela!).

Não que vá fazer diferença real. Mas não deixa de ser curioso ver como os nacionalismos (e os seus contrários) rebrotam devido apenas a ninharias midiatizadas, tais como a variação de décimos num cálculo de regra de três, o do PIB em dólar.

Nem sempre, como escreveu Paul Krugman, estatísticas econômicas são apenas um tipo tedioso de ficção científica. Rendem também cordéis psicológicos sobre delírios de grandeza. Mas passemos.

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Otimismo – artigo do senador Aécio Neves

Publicado na Folha de S.Paulo – 26/12/11

O final do ano nos humaniza. Traz consigo o calor da família e dos amigos, momento para encontros e reencontros, propício para reparar eventuais omissões, lapsos, encurtar distâncias e também desarmar o estopim da intolerância.

É quando pisamos com outra leveza e a necessária sabedoria o terreno das oportunidades vividas ou perdidas e dos sonhos ainda acalentados.

É quando não podemos deixar de somar ausências, lidar com cadeiras vazias na ceia de Natal e nos darmos conta do que parecemos esquecer no dia a dia: que a marcha do tempo é irremediável. É nessa época que costumamos fazer balanços e nos reencontrar com nós mesmos, com as convicções e esperanças que constroem a identidade de cada um.

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Dilma termina primeiro ano de governo com desempenho medíocre, avalia ITV

Por meio de sua carta de conjuntura política, o Instituto Teotônio Vilela (ITV) afirma que a presidente Dilma termina o primeiro ano de governo com “desempenho medíocre”. O documento destaca as denúncias de corrupção que tomaram conta da Esplanada. “Nunca antes na história se viu tantas autoridades metidas em escândalos.” Segundo o ITV, na economia, o Brasil está no fundo do poço. “Resta torcer para que 2012 seja um ano em que os erros de agora não continuem a se repetir e em que as oportunidades para construir um país melhor não sejam desperdiçadas”, avalia.  

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De volta à fila do desemprego


Publicado em 21-12-2011

A crise econômica está batendo forte no Brasil. E os primeiros a pagar o pato estão sendo os trabalhadores: a geração de emprego despencou no país em novembro e deve cair mais no último mês do ano. Tudo indica que 2012 será ainda pior para o mercado de trabalho local.

No mês passado, foram geradas apenas 42.735 novas vagas com carteira assinada no país, de acordo com números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho, divulgados ontem. Foi o menor resultado do ano e o pior para meses de novembro desde a crise de 2008.

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Governo federal tem muito a fazer para atacar o problema da violência no trânsito

Merece ser comemorada a aprovação, pelo Senado, das alterações que tornam a aplicação da Lei Seca mais rigorosa no país. O endurecimento da legislação chega em boa hora: morre-se hoje como nunca no Brasil vítima de acidentes automobilísticos. “Resta o governo federal fazer a sua parte e cuidar da condição das vias de trânsito: há 55 mil quilômetros de rodovias esperando para serem mais bem cuidados e não se transformarem em estradas da morte”, alerta o Instituto Teotonio Vilela em sua Cartade Mobilização Política desta quinta-feira. Confira:

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Grupo que debateu ideias no RJ já mudou o Brasil uma vez e está pronto para fazê-lo de novo

O Brasil tem sérios problemas sociais a resolver, mas dispõe hoje de condições privilegiadas para equacioná-los. Há recursos orçamentários suficientes para melhorar a saúde, a educação e a segurança pública. O que tem faltado, e muito, é capacidade do governo petista de aplicar bem o dinheiro dos contribuintes em prol destas melhorias. Como destaca a Carta de Mobilização Política desta quarta-feira, dia 9, o grupo que anteontem se reuniu para debater ideias no Rio já mudou o país uma vez e está pronto para mudar de novo. Confira abaixo a íntegra:

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Leia artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso: Corrupção e poder

Publicado no jornal O Globo

O novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou recentemente que os desmandos que ocorreram em sua pasta se devem a que as ONGs passaram a ter maior participação na concretização de políticas públicas. E sentenciou: ele só fará convênios com as prefeituras, não mais com segmentos da sociedade civil.

Ou seja, em vez de destrinchar o que ocorre na administração federal e de analisar as bases reais do poder e da corrupção, encontra um bode expiatório fora do governo.

No caso, quanto eu saiba, é opinião de pessoa que não tem as mãos sujas por desvios de recursos públicos. Não se trata, portanto, de simples cortina de fumaça para obscurecer práticas corruptas. São palavras que expressam a visão de mundo do novo ministro: o que pertence ao “Estado”, ao governo, é correto; o que vem de fora, da sociedade, traz impurezas…

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