Blog da Dilma acha que Joaquim Barbosa deveria “voltar para o tronco”

Juvenal Araújo - coordenador nacional do Secretariado da Militância Negra do PSDB
Juvenal Araújo – coordenador nacional do Secretariado da Militância Negra do PSDB

Artigo do coordenador nacional do Secretariado da Militância Negra do PSDB e presidente do Secretariado da Militância Negra do PSDB de Minas Gerais – Tucanafro, Juvenal Araújo  

De maneira agressiva e desrespeitosa, o Blog da Dilma criticou a postura de Joaquim Barbosa que não cumprimentou a presidente durante as saudações ao Papa Francisco. A publicação, de extremo mau gosto, acusou o ministro de agredir mulheres, juízes e repórteres e foi racista ao ilustrar a matéria com uma imagem de um escravo apanhando no tronco.Com viés racista e desrespeitoso, o Blog da Dilma, publicação de simpatizantes do PT e da presidente, criticou a atitude do presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, durante encontro com o Papa Francisco no Rio de Janeiro.

Ao que parece, para o PT e seus seguidores, Joaquim Barbosa deveria ser grato por ocupar o mais alto cargo da corte, já que tem em sua ascendência sangue escravo. Dilma e seus companheiros demonstraram, mais uma vez, como agem de forma truculenta e preconceituosa com aqueles que não concordam com o totalitarismo do seu governo.

Ao contrário do que sugere a publicação, que considera desrespeitosa a atitude do presidente na ocasião, ele foi ovacionado pelo público no encontro e só não recebeu mais aplausos que o próprio papa. O texto ainda insinua que Joaquim Barbosa é corrupto e que erra em julgamentos.

A questão do racismo do PT, que antes era apenas sugerida, mas jamais pronunciada, começou a aparecer quando o ainda deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, revelou o que realmente pensa o PT. Inconformado com a atuação do ministro Joaquim Barbosa, quando assumiu a presidência do STF, Cunha vomitou o seu racismo: “[Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.

No pensamento petista, Joaquim Barbosa não chegou ao Supremo por seus méritos, mas porque é preto. Assim, quem o nomeou ministro foi a vontade de Lula, que lhe teria prestado, então, um favor, fazendo uma concessão a uma “raça”, mas por ser negro, Barbosa estaria impedido de julgar segundo os autos, as leis e a sua consciência. A cor da pele lhe imporia, logo à partida, um determinado conteúdo.

Lula, o PT e os petistas esperavam um negro grato, de joelhos, beijando as mãos dos seus senhores. Queriam um Joaquim Barbosa doce como um negro forro, que se desfizesse em amabilidades com o seu ex-senhor e se sentisse feliz por ter sido um dos escolhidos da senzala para receber o galardão da liberdade.

Em vez disso, o que se tem, na visão dos petistas, é um negro ingrato, que decidiu olhar a lei, não quem o nomeou; que decidiu se ater aos crimes cometidos pelos réus, não à cor de sua própria pele; que decidiu seguir as regras do estado democrático e de direito, não o projeto de poder de um partido.

Não há dúvida de que essas e outras agressões e ofensas surgiram após o ministro Joaquim Barbosa não agir conforme os anseios petistas no julgamento do Mensalão.

Balança maquiada e desequilibrada

Está cada vez mais difícil confiar na contabilidade oficial. A gestão petista especializou-se em artifícios de toda sorte para maquiar seus maus resultados. Agora é a vez de a balança comercial ser manipulada. Não fosse isso, o país poderia até ter apresentado déficit no seu comércio exterior em 2012.

A maquiagem está ficando explícita aos pouquinhos, na divulgação dos resultados semanais da balança neste primeiro mês do ano. O que começou com um rombo de US$ 100 milhões na primeira semana de janeiro, chegou a US$ 1,7 bilhão na terceira. Trata-se de comportamento inédito em 18 anos de medições.

Na soma, as transações comerciais com o exterior acumulam até agora US$ 2,7 bilhões no vermelho, de acordo com informações divulgadas ontem pelo Ministério do Desenvolvimento. Mantida a tendência, a balança brasileira terá, neste janeiro, o pior resultado mensal verificado desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior, iniciada em 1995.

Terão as condições piorado tanto, e de maneira tão repentina? A resposta é não. Continuar lendo

Entre palavras e atos, uma estrada esburacada

EstradaHá uma distância enorme entre as palavras e intenções expressas pela presidente da República e suas efetivas realizações. Dilma Rousseff promete eficiência e celeridade, mas produz quase só atrasos e malversações. Não adianta traçar metas ambiciosas, se a capacidade de executá-las não existe. Entre as palavras e os atos presidenciais, há uma longa estrada esburacada.

Na sexta-feira, aboletada em cima de um palco convertido em palanque no Piauí, Dilma prometeu “crescimento sério, sustentável e sistemático” para este ano. Seu discurso não corresponde aos fatos e só com lábia não se movem montanhas nem tampouco se sensibilizam os cofres de quem constrói o futuro do país.

Uma minuciosa análise do Orçamento Geral da União feita neste fim de semana pelaFolha de S.Paulo comprova quão devagar as ações do governo federal têm andado sob o governo de Dilma. Áreas fundamentais para destravar o desenvolvimento do país, como a de infraestrutura, estão à míngua. Continuar lendo

“Credibilidade ameaçada”, por Raul Velloso

DinheiroArtigo de Raul Velloso publicado na edição desta segunda-feira (14) do jornal O Estado de S. Paulo

Credibilidade é tudo em economia. A nossa foi gradualmente dilapidada ao longo de várias “décadas perdidas”, e agora estamos diante de uma nova ameaça. Enfrentamos a crise da dívida de 1982 praticamente sem dólares no caixa, deixamos a situação social se deteriorar e, finalmente, chegamos à hiperinflação. Até bem pouco tempo, assim, a percepção externa era de que o Brasil estava preso num labirinto, sem chances de encontrar uma saída racional.

De 1995 a 2008, o quadro mudou radicalmente, pois domamos a inflação, instituindo o tripé metas de inflação/superávits fiscais altos/câmbio flutuante e passando a controlar a dívida pública; reduzimos consideravelmente os índices de pobreza; e, sem recursos públicos, colocamos em prática um modelo de expansão dos serviços públicos baseado fortemente no capital privado. Graças a isso, o crescimento sustentável do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 2,7% ao ano para algo ao redor de 5% ao ano.

Há várias áreas problemáticas da atuação pública que ainda precisam ser azeitadas, algo que demandará bastante tempo. Temos sido incapazes de realizar uma reforma administrativa com letras maiúsculas, e, assim, uma área crítica é a de administração e gestão. O problema previdenciário tende a se agravar consideravelmente nos próximos anos. Ou seja, há muito o que reestruturar. Continuar lendo

Oportunidade perdida

Artigo do senador Aécio Neves

Volto aqui ao tema da emenda 29, cuja regulamentação acaba de ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff com um desfecho frustrante para uma iniciativa que levou mais de uma década tramitando no Congresso Nacional.

Um dos artigos vetados na sanção previa mais recursos para a saúde sempre que houvesse ganhos para a União, a partir da revisão positiva do PIB nominal. Antes, a base governista já havia impedido que o governo contribuísse com pelo menos 10% da sua receita, o que teria significado mais R$ 31 bilhões para o setor no ano que passou.

Já os Estados e os municípios tiveram fixados seus pisos mínimos de investimento de 12% e 15% de suas receitas, respectivamente. A situação é ainda mais grave diante da regressiva participação financeira federal nas despesas da área há vários anos, e, como consequência, o aumento da parcela de Estados e municípios.

A União se eximiu, assim, da sua responsabilidade, deixando para governadores, prefeitos e para as famílias brasileiras o ônus pelo equacionamento dos problemas do setor.

Leia mais (para assinantes)

Saúde que pesa no bolso

O brasileiro é um dos que mais gasta com saúde em todo o mundo. A constatação vem no mesmo momento em que a presidente Dilma Rousseff impôs vetos à regulamentação da emenda constitucional n° 29 que resultaram em investimentos menores do governo federal no setor. Bom atendimento médico no país só tem quem paga.

Pela primeira vez, o IBGE mediu quem efetivamente banca as despesas de saúde no Brasil.Constatou que é o contribuinte quem arca com a maior parcela dos gastos, diferentemente do que acontece em quase todas as economias mais desenvolvidas do mundo.

Os brasileiros gastam 29% mais que o Estado para cuidar de sua saúde. São R$ 835 por pessoa ao ano, enquanto o sistema público aplica apenas R$ 645, na mesma base de comparação. Como consequência, 55,4% das despesas totais do setor de saúde no país são bancadas pelas famílias, enquanto 43,6% são cobertas pela administração pública.

Continuar lendo

Gastar é fácil; o difícil é investir

O governo prepara para as próximas semanas o anúncio de cortes no Orçamento, num valor que pode chegar a R$ 60 bilhões. Assim como aconteceu no ano passado, a promessa é de que os investimentos sejam poupados. Assim como aconteceu no ano passado, é possível que o compromisso não seja cumprido. É sempre mais fácil deixar de investir com critério do que não gastar desmesuradamente.

Em 2011, a gestão Dilma Rousseff obteve um resultado fiscal bastante positivo. O número final será conhecido até o fim do mês, mas é certo que o superávit ficará próximo a 3% do PIB. O problema é como esta economia foi alcançada: mais uma vez aumentando a carga de impostos e, mais uma vez, cortando os investimentos.

Continuar lendo