Reportagem da revista ÉPOCA revela que Pimentel movimentou R$ 3,1 milhões de forma suspeita

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De acordo com agência federal de combate à lavagem de dinheiro, em uma das movimentações, o governador mineiro sacou R$ 150 mil em dinheiro vivo dois meses após as eleições de 2014; o ex-presidente Lula e os ex-ministros Antônio Palocci e Erenice Guerra também movimentaram cifras milionárias

Reportagem exclusiva estampada na capa da revista ÉPOCA desta semana apresenta mais uma grave denúncia contra o governador de Minas Gerais Fernando Pimentel, do PT. De acordo com a matéria, que tem como título “A fortuna suspeita das estrelas do PT”, relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a agência do governo federal de combate à lavagem de dinheiro, revela que Pimentel, o ex-presidente da República Luis Inácio Lula da Silva e os ex-ministros Antonio Palocci e Erenice Guerra, entre outros correligionários petistas, movimentaram nos últimos anos quase meio bilhão de reais em transações com indício de irregularidades.

No caso específico do governador mineiro, o Coaf identificou R$ 3,1 milhões em movimentações suspeitas. Numa das operações, Pimentel sacou R$ 150 mil numa agência bancária de Belo Horizonte. O saque, em dinheiro vivo, ocorreu dois meses após as eleições de 2014. Em outra, o petista fez aplicações no valor total de R$ 676 mil no mercado de seguros sem prestar informações sobre a origem dos recursos.

De acordo com a ÉPOCA, foram descobertas ainda movimentações suspeitas de duas empresas da família do governador mineiro, totalizando cerca de R$ 2,5 milhões. “As comunicações (do Coaf), além de envolver saques em espécie de alto valor, foram registradas porque Pimentel apresentou resistência na apresentação de informações”, informa a matéria.

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Campanha do PT ao governo de Minas está sub judice

Nunca é demais lembrar que a campanha de Fernando Pimentel ao governo de Minas está sub judice, já que é alvo de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, que já reuniram vários indícios de irregularidades, como a não contabilização de pelo menos R$ 10 milhões de reais.

A Operação Acrônimo, da Polícia Federal, também investiga o envolvimento de Pimentel e de sua esposa, Carolina Oliveira, em um esquema de corrupção no BNDES, no período em que o petista era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Em editorial, revista critica tentativa de Pimentel de calar repórter

A propósito dessas investigações, a revista ÉPOCA publicou também em seu portal um duro editorial, no qual critica o fato de Fernando Pimentel ter solicitado ao STJ a quebra de sigilo telefônico de um repórter do jornal O GLOBO que publicou reportagens com base em informações reveladas pela Operação Acrônimo, da Polícia Federal. Com o título “Pelo direito de saber” e ilustrado com uma foto do governador mineiro, o editorial cita dois outros casos recentes, que tentaram cercear o direito de jornalistas de outros veículos de divulgarem informações de investigações feitas pela Polícia Federal.

Para a revista, nos três casos, “a intenção real é intimidar os jornalistas, anular a fonte e estancar a divulgação de histórias que os envolvidos gostariam de manter secretas”. A publicação louva o fato de que, em todos eles, a Justiça preservo ou direito dos jornalistas de informarem e o direito dos cidadãos de saberem sobre eventuais malfeitos protagonizados por políticos. “A Justiça deve combater o desrespeito às normas que preservam a liberdade de atuação da imprensa no país (…) o direito dos cidadãos é um fardo com o qual os homens públicos têm de lidar”, conclui o editorial, num claro recado do governador petista, Fernando Pimentel.

Clique AQUI para ler a íntegra do editorial da “Pelo direito de saber”, da revista ÉPOCA

Confira abaixo os principais trechos da reportagem “A fortuna das estrelas do PT”, da revista ÉPOCA

Relatório do Coaf mostra movimentações milionárias nas contas de Lula, Palocci, Pimentel e Erenice

Um relatório da agência do governo de combate à lavagem de dinheiro revela que os quatro, entre outros petistas, movimentaram quase meio bilhão de reais em transações com indício de irregularidades

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Há duas semanas, analistas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, mais conhecido pela sigla Coaf, terminaram o trabalho mais difícil que já fizeram. O Coaf, subordinado oficialmente aoMinistério da Fazenda, é a agência do governo responsável por combater a lavagem de dinheiro no Brasil. Reúne, analisa e compartilha com o Ministério Público e a Polícia Federal informações sobre operações financeiras com suspeita de irregularidades. Naquela sexta-feira, dia 23 de outubro, os analistas do Coaf entregavam à chefia o Relatório de Inteligência Financeira 18.340. Em 32 páginas, eles apresentaram o que lhes foi pedido: todas as transações bancárias, com indícios de irregularidades, envolvendo, entre outros, os quatro principais chefes petistas sob investigação da PF, do Ministério Público e do Congresso.

Eis o quarteto que estrela o relatório: Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, líder máximo do PT e hoje lobista; Antonio Palocci, ministro da Casa Civil no primeiro mandato de Dilma Rousseff, operador da campanha presidencial de 2010 e hoje lobista;Erenice Guerra, ministra da Casa Civil no segundo mandato de Lula, amiga de Dilma e hoje lobista; e, por fim, Fernando Pimentel, ministro na primeira gestão Dilma, também operador da campanha presidencial de 2010, hoje governador de Minas Gerais. O Relatório 18.340, ao qual ÉPOCA teve acesso, foi enviado à CPI do BNDES. As informações contidas nele ajudarão, também, investigadores da Receita, da PF e do MP a avançar nas apurações dos esquemas multimilionários descobertos nas três operações que sacodem o Brasil: Lava Jato, Acrônimo e Zelotes. Essas investigações, aparentemente díspares entre si, têm muito em comum. Envolvem políticos da aliança que governa o país e grandes empresários. No caso da CPI do BNDES, os parlamentares investigam as suspeitas de que os líderes petistas tenham se locupletado com as operações de financiamento do banco, sobretudo as que beneficiaram o cartel de empreiteiras do petrolão.

Ao todo, foram examinadas as contas bancárias e as aplicações financeiras de 103 pessoas e 188 empresas ligadas ao quarteto petista. As operações somam – prepare-se – quase meio bilhão de reais. Somente as transações envolvendo os quatro petistas representam cerca de R$ 300 milhões. Palocci, por exemplo, movimentou na conta-corrente de sua empresa de consultoria a quantia de R$ 185 milhões. Trata-se da maior devassa já realizada nas contas de pessoas que passaram pelo governo do PT. Há indícios de diversas irregularidades. Vão de transações financeiras incompatíveis com o patrimônio a saques em espécie, passando pela resistência em informar o motivo de uma grande operação e a incapacidade de comprovar a origem legal dos recursos.

O Coaf não faz juízo sobre as operações. Somente relata movimentações financeiras suspeitas de acordo com a lei e regras do mercado, como saques de dinheiro vivo na boca do caixa ou depósitos de larga monta que não tenham explicação aparente. O Coaf recebe essas informações diretamente dos bancos e corretoras. Eles são obrigados, também nos casos previstos em lei, a alertar o Coaf de operações “atípicas” envolvendo seus clientes. É obrigação do Coaf avisar as autoridades sobre operações suspeitas de crimes. A lavagem de dinheiro existe para esquentar recursos que tenham origem ou finalidade criminosa, como pagamentos de propina. Não cabe ao Coaf estipular se determinada transação é ilegal ou não. Cabe a ele somente informar a existência dessa transação às autoridades competentes, caso essa transação contenha características de uma operação de lavagem de dinheiro. Foi isso que o Coaf fez no caso do quarteto petista. Cabe agora à PF, ao MP e ao Congresso trabalhar detidamente sobre as informações reveladas pelo Coaf.

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Lula e família. Uma de suas empresas transferiu R$ 48 mil a Fernando Bittar, sócio de um dos filhos do petista e dono de um sítio atribuído ao ex-presidente
Lula e família. Uma de suas empresas transferiu R$ 48 mil a Fernando Bittar, sócio de um dos filhos do petista e dono de um sítio atribuído ao ex-presidente
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