Polícia Federal suspeita de repasse milionário à mulher de Pimentel

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Mais informações foram trazidas hoje pelo jornal Folha de S.Paulo e que complicam ainda mais o governador Fernando Pimentel, do PT, e sua mulher Carolina Oliveira, investigados pela Polícia Federal na Operação Acrônimo. A operação apura suspeitas de tráfico de influência de Pimentel quando comandava, de 2011 a 2014, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Reportagem publicada nesta quarta-feira (14/10) mostra que a Polícia Federal suspeita que um contrato de R$ 8 milhões entre o grupo de varejo Casino e a empresa do jornalista Mário Rosa seja “ideologicamente falso”. O contrato seria para justificar pagamentos à jornalista Carolina Oliveira, mulher de Pimentel.

Em maio, a PF encontrou na residência de Carolina uma planilha que indicava R$ 362 mil como “valores recebidos do Casino”. A Folha apurou que a empresa dela, a Oli Comunicação, que tem apenas um funcionário registrado, recebeu, de fato, R$ 2,98 milhões da empresa de Rosa, a MR Consultoria, relativos ao contrato com o Casino, que vigorou de 2011 a 2014.

Carolina recebeu pagamentos mensais que oscilaram de R$ 65 mil a R$ 183 mil entre 2012 e 2014. Para a PF, os pagamentos têm relação com a gestão de Pimentel à frente do MDIC, ao qual está vinculado o BNDES. Na época em que Pimentel era ministro, Carolina trabalhava como assessora no BNDES.

Operação Acrônimo

A Operação Acrônimo apura irregularidades no financiamento e na prestação de contas da campanha eleitoral de Pimentel ao governo de Minas. Desencadeada inicialmente em maio, a operação tem também como alvos a primeira-dama do Estado, Carolina Oliveira, e o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, mais conhecido como Bené.

O governador Fernando Pimentel, do PT, está sendo investigado por supostamente receber vantagens indevidas de empresas que mantinham relações comerciais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que ele comandou de 2011 a 2014.

A investigação foi iniciada em outubro do ano passado, quando a Polícia Federal apreendeu, no Aeroporto de Brasília, R$ 113 mil em dinheiro vivo numa aeronave que trazia Bené e outros colaboradores da campanha de Pimentel de Belo Horizonte. O empresário é suspeito de desviar recursos de contratos do governo federal com suas empresas. Ele chegou a ser preso em maio, mas deixou a cadeia após pagamento de fiança.

Confira abaixo reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo

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PF suspeita de repasse à mulher de Pimentel

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A Polícia Federal suspeita que um contrato de R$ 8 milhões entre o grupo de varejo Casino e a empresa do jornalista Mário Rosa seja “ideologicamente falso” para justificar pagamentos à jornalista Carolina Oliveira, mulher do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).
As suspeitas foram levantadas em relatórios da Operação Acrônimo, que tramita no STJ (Superior Tribunal de Justiça). Nas últimas duas décadas, Rosa tem sido um dos mais ativos consultores de imagem e “gerenciadores de crise” de políticos e empresas.

A PF encontrou, na residência de Carolina, uma planilha que indicava R$ 362 mil como “valores recebidos do Casino”. A Folha apurou que a empresa dela, a Oli Comunicação, que tem apenas um funcionário registrado, recebeu, de fato, R$ 2,98 milhões da empresa de Rosa, a MR Consultoria, relativos ao contrato com o Casino, que vigorou de 2011 a 2014.

Carolina recebeu pagamentos mensais que oscilaram de R$ 65 mil a R$ 183 mil entre 2012 e 2014. Para a PF, os pagamentos têm relação com a gestão de Pimentel à frente do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), pasta que chefiou de 2011 a 2014 e ao qual está vinculado o BNDES.

“Acredita-se que Mário Rosa tenha ‘contratado’ Carolina para facilitar o lobby que teria feito junto ao MDIC/BNDES, obter o benefício solicitado ao Casino e que parte desse pagamento indevido seria repassado para Carolina”, escreveu a PF em relatório.

A defesa do Casino afirmou à PF que os pagamentos à MR estão relacionados a “uma verdadeira guerra” entre o Casino e o seu então parceiro no Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, e que não houve benefício do BNDES ao Casino.

Em 2011, Diniz tentou fazer uma fusão entre o Pão de Açúcar e o Carrefour com recursos do BNDES. O grupo francês, porém, atuou “combatendo veementemente essa proposta”, segundo petição entregue pelo Casino à PF. Em julho do mesmo ano, o BNDES desistiu da operação. Isso permitiu que o Casino assumisse, em 2013, o controle acionário do Pão de Açúcar.

Na época, Pimentel era ministro e Carolina trabalhava como assessora no BNDES. O Casino diz que, como contratou a MR após a decisão do banco, não faz sentido ser colocado sob suspeita de ter buscado benesses no governo.

OUTRO LADO

Os jornalistas Mário Rosa e Carolina Oliveira e o Grupo Casino negaram quaisquer irregularidades nos pagamentos realizados pelo grupo varejista à empresa de Rosa, a MR Consultoria, e afirmaram que foram prestados os serviços de comunicação e gerenciamento de crise previstos no contrato e seus aditivos.

“Fui contratado como consultor de comunicação de uma das maiores empresas privadas do país para atuar em assunto que foi resolvido no âmbito privado, sem nenhuma interferência do governo”, disse Rosa. “Quando fui contratado, esse assunto do BNDES já havia sido resolvido”, afirmou o jornalista.

O advogado de Carolina Oliveira, Pierpaolo Bottini, afirmou à Folha que ela, a convite de Rosa, prestou “serviços de comunicação” ao Casino, auxiliando Rosa em “gestão de crise” e que serão apresentadas à Justiça provas da afirmação.

O advogado disse que a suspeita de que os pagamentos sejam uma fachada “é uma ideia extremamente injusta”. “Carolina tem e-mails demonstrando que trabalhou para esses clientes e trabalhou bastante. Nem ela nem Pimentel tinham qualquer ingerência sobre decisões do BNDES”, afirmou.

Em nota, o Grupo Casino afirmou que os contratos com a MR, relacionados à disputa com Abílio Diniz, a partir de julho de 2011, “contemplaram todos os requisitos exigidos por lei e seus termos seguiram padrões de mercado, consistentes com aqueles firmados pelo Grupo Casino com outros profissionais no mesmo ramo de atuação”.

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