Em nova etapa, Operação Acrônimo faz busca e apreensão na casa de aliados de Fernando Pimentel

FOTO DE MAURO BORGES  CopiaEntre os intimidados a depor está o atual presidente da Cemig, Mauro Borges, que substituiu o hoje governador do PT no Ministério do Desenvolvimento

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (1º/10) mais uma fase da Operação Acrônimo, que investiga irregularidades na campanha do petista Fernando Pimentel ao Governo de Minas em 2014 e o suposto recebimento de propina quando ela ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os agentes da PF estão fazendo buscas em endereços de pessoas ligadas ao atual governador mineiro, entre elas o do presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Mauro Borges (foto), que o sucedeu no ministério.

Na casa de Mauro Borges, no Bairro Belvedere, em Belo Horizonte, os agentes apreenderam notebooks, celulares e mídias eletrônicas. O ex-ministro foi intimado a depor na sede da PF na capital e, depois de 30 minutos, foi liberado.

Estão sendo cumpridos 40 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo e Goiás.

Segundo fontes com acesso às investigações, que correm em sigilo de Justiça, estão sendo cumpridos mandados nos endereços da Odebrecht, Casino, Gol, CBF, Marfrig CAOA (fabricante e revendedora de carros da Hyundai no Brasil). A ação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

De acordo com reportagem publicada pela revista ÉPOCA em julho, havia suspeitas de que a CAOA conseguira incentivos fiscais do Ministério do Desenvolvimento e empréstimos do BNDES para produzir carros na cidade goiana de Anápolis. A PF descobriu que, poucos dias antes de uma visita de Fernando Pimentel à fábrica em Goiás, a CAOA tinha feito depósitos em conta de empresa ligada a Benedito Rodrigues de Oliveira, o Bené, ligado a Pimentel e operador da campanha do petista ao governo de Minas em 2014.

Operação Acrônimo

A Operação Acrônimo apura irregularidades no financiamento e na prestação de contas da campanha eleitoral de Pimentel ao governo de Minas. Desencadeada inicialmente em maio, a operação tem também como alvos a primeira-dama do Estado, Carolina Oliveira, e o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira, mais conhecido como Bené.

O governador Fernando Pimentel, do PT, está sendo investigado por supostamente receber vantagens indevidas de empresas que mantinham relações comerciais com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que ele comandou de 2011 a 2014.

A investigação foi iniciada em outubro do ano passado, quando a Polícia Federal apreendeu, no Aeroporto de Brasília, R$ 113 mil em dinheiro vivo numa aeronave que trazia Bené e outros colaboradores da campanha de Pimentel de Belo Horizonte. O empresário é suspeito de desviar recursos de contratos do governo federal com suas empresas. Ele chegou a ser preso em maio, mas deixou a cadeia após pagamento de fiança.

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