O risco Dilma

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Real derrete com a desorientação do governo e atinge cotação maior que às vésperas da eleição de 2002. Antes, temia-se o risco Lula, agora há a certeza do desastre Dilma. O dólar alto é apenas uma das contrapartes da falta de credibilidade da petista e da perda de confiança no país.

A última vez que o dólar explodiu foi há 13 anos. Era o temor de que, se chegasse à presidência da República, o PT tocaria fogo no país. Pois as cotações de agora ultrapassaram às da véspera das eleições de 2002. Antes, temia-se o chamado risco Lula, agora há a certeza do desastre Dilma.

A cotação do dólar subiu mais um tanto ontem e chegou a inéditos R$ 4,05. O real é a moeda que mais perdeu valor em 2015. Desde janeiro, a alta é de 52%. A escalada ganhou ímpeto em julho, quando o governo primeiro reduziu a meta fiscal para este e o próximo ano. E acelerou de vez desde a desastrosa decisão de enviar ao Congresso um orçamento com déficit e abandonar qualquer compromisso com a responsabilidade fiscal.

Ato contínuo, o rebaixamento da nota de risco do Brasil pela Standard & Poor’s traduziu em ação o que era percepção difusa: a de que o país não era mais confiável a investidores. Ninguém consegue prever aonde a cotação do dólar, tampouco o desalento econômico, vai parar.

Dólar caro não incomoda apenas quem quer brincar na Disney. Afeta diretamente a vida de todos, ao tornar produtos importados muito mais caros. É inflação na veia do país, o que torna a contenção da carestia algo ainda mais difícil, depois de anos de leniência do governo do PT com a alta dos preços. Ninguém mais crê em inflação na meta num horizonte visível.

Os investidores também dobraram seu temor diante de risco de quebradeira, o que se traduz em quanto cobram por uma espécie de seguro contra calotes por parte do país. Desde julho, a alta nos prêmios é de 70%, levando o Brasil a pagar, por exemplo, mais que o dobro do que paga o México. Por este parâmetro, investir aqui só não é mais arriscado do que em outros quatro países (Venezuela, Grécia, Ucrânia e Paquistão).

Em 2002, quando lidaram com a expectativa de chegada do PT ao poder, os agentes econômicos traduziram seu receio com o imponderável que estava por vir a partir da vitória de Lula por meio de brutal alta do dólar, da fuga de investimentos e de uma desconfiança generalizada no país, traduzida em baixo crescimento e alta inflação.

Qualquer semelhança com a realidade atual não é mera coincidência. Com a crucial diferença de que, agora, um governo do PT não é mais uma incógnita e sim algo sobejamente conhecido – e, por todos os sinais emitidos não apenas pelo mercado, mas por toda a sociedade brasileira, amplamente indesejável.

O país paga alto preço pela maneira irresponsável, errática, hesitante, equivocada com que a presidente da República conduz o Brasil desde 2011. O dólar alto é apenas uma das contrapartes da falta de credibilidade da petista e da perda de confiança no país. O que era apenas temor tornou-se fato, desastre consumado. É o risco Dilma que dispara.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.225 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

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