O alto preço do rebaixamento

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Orçamento deficitário precipitou rebaixamento e jogou país em situação muito mais séria do que já vivia. A presidente parece não perceber a gravidade das decisões que toma como se lavasse as mãos e entregasse o país na bacia das almas. É um preço muito alto, que brasileiro nenhum merece pagar.

O dia 31 de agosto vai ficar marcado na história da presente crise econômica que o país atravessa. Naquela data, o governo oficializou a decisão de enviar um orçamento deficitário ao Congresso e, com isso, precipitou o rebaixamento de crédito do país. Em consequência, pioraram muito as condições da atividade produtiva. Foi uma espécie de passo final na direção do abismo.

A partir da iniciativa desastrada da presidente Dilma, tudo ficou mais difícil. As expectativas de inflação e os juros não param de aumentar, como mostra o Banco Central. A desconfiança generalizada disparou o gatilho do dólar, que na semana passada aproximou-se da maior cotação da história. A tradução disso na vida das pessoas é maior carestia, desemprego mais alto e nenhuma perspectiva de melhora.

Entre os efeitos do rebaixamento, o crédito para o país e para empresas brasileiras tornou-se mais caro, dificultando novos investimentos e mesmo a preservação dos atuais. O dinheiro secou, e todos os setores da economia estão sentindo na carne. Quem empresta teme tomar calotes. O Brasil tornou-se pária do mundo econômico.

O país já paga mais caro a título de seguro contra calotes do que países em pior situação de crédito ou que já foram rebaixados por mais de uma agência de rating. Isto porque temos indicadores bem piores que eles, como resultado fiscal negativo, baixo crescimento econômico e alto peso da dívida sobre o PIB, como mostrou O Globo há dez dias.

O pato está sendo pago por muitos. No rastro do rebaixamento do crédito do governo pela Standard & Poor’s, dezenas de empresas e governos subnacionais (estados e municípios) também tiveram suas notas reduzidas à condição de grau especulativo, ou de “lixo”, na linguagem crua dos operadores de mercado. Viram também o dinheiro sumir.

A maior afetada foi a Petrobras. Como a empresa já havia perdido o selo de grau de investimento dado por outra agência, a Moody’s, em fevereiro, investidores institucionais do mundo todo começaram a se desfazer em massa dos papéis da petroleira brasileira. Resultado: a estatal está tendo de rever novamente seu plano de negócios, deve cortar ainda mais seus investimentos e ampliar a quantidade de ativos à venda.

Mais alarmante é que a situação que já é ruim pode piorar bem mais. A expectativa dominante é de que o Brasil também seja rebaixado por uma segunda ou até uma terceira agência de rating. As perdas seriam imediatas e contadas na casa dos bilhões. O Brasil, sob o governo do PT, é o emergente mais próximo de cair novamente para a segundona, por seus números “espantosamente ruins”, segundo o Financial Times.

O que o governo Dilma irresponsavelmente perdeu o Brasil vai demorar a reconquistar, levando-se em conta países que passaram pela mesma experiência. A presidente parece não perceber a extensão das decisões que toma, como se lavasse as mãos e entregasse o país na bacia das almas. É um preço muito alto, que brasileiro nenhum merece pagar.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.223 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

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