Tucanos questionam ex-presidente do BNDES sobre grande volume e direcionamento de empréstimos

CPI-BNDES

Os deputados do PSDB que questionaram Demian Fiocca na CPI criada para investigar a atuação do BNDES chamaram a atenção, entre outros pontos, para o crescimento surpreendente no ritmo dos valores liberados nos últimos anos. Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) disse que, entre 2007 e 2014, a instituição financiou R$ 1,3 trilhão, o triplo do montante na comparação com o período em que Fiocca comandou a instituição.

“Uma dinheirama inacreditável. O que justificou esse aumento?”, questionou o parlamentar. Segundo o tucano, esse processo de concessão de créditos fez a dívida interna aumentar “barbaramente”’. O mau uso dos bancos públicos é um dos fatores que levaram à difícil situação fiscal vivida atualmente pelo país, lembrou.

Aporte bilionário

O deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO) reiterou que as principais agências de rating, e o próprio ministro da Fazenda, Joaquim Levy, incluíram a utilização indevida de recursos da Petrobras e até mesmo do BNDES entre as causas da grave crise que atinge o país. “O Tesouro Nacional fez aporte de R$ 470 bilhões, o que representa 8% da soma das riquezas do país, algo muito grave para a economia nacional”, disse.

Já o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE) disse que, estranhamente, as denúncias envolvendo os escândalos do mensalão e petrolão se interligam e, segundo ele, há indícios de que o BNDES também acabou sendo envolvido nessas irregularidades. “Temos notícias de que a instituição teria sido usada por fazer parte de uma política de financiamento das campanhas nacionais e também das empreiteiras que estão sendo investigadas pela operação Lava Jato”, afirmou.

Ele destaca a associação de Demian Fiocca com Rodolfo Landim na Mare Investimentos, que teria ligações com a Petrobras. Posteriormente, a investigação feita pela operação Lava Jato, em 2014, abortou o negócio da Mare com a Eco Global, que teria ligações com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, ambos presos na Operação Lava Jato. A Eco Global fechou contrato com a estatal no valor de R$ 500 milhões.

Entre as operações de crédito o deputado Alexandre Baldy (GO) cita uma no valor de R$ 7,3 bilhões para a Vale. E também da participação de Maurício Dias Davi, que uma semana depois do BNDES ter liberado esse financiamento, pediu licença por dois anos e foi trabalhar na Vale. Alexandre Baldy considerou que o ex-presidente do BNDES foi evasivo ao responder a várias perguntas dizendo que deixara o banco há oito anos e não lembrava de pessoas e nem de fatos relacionados à presidência.

Por sua vez, deputado João Gualberto (PSDB-BA) disse que há um sentimento generalizado da população brasileira de que a corrupção no BNDES é até maior que na Petrobras. “Todos os que vêm aqui estão treinados e orientados sobre o que devem falar. Apelo para que o senhor seja espontâneo e colabore com as investigações”, pediu, sem sucesso.

Demian Fiocca negou que o ex-presidente Lula tenha feito tráfico de influência em favor de empresas ou instituições. Também afirmou que os empréstimos foram concedidos com segurança e garantiu que a política de financiamento do banco é impessoal e visando o desenvolvimento do Brasil. Ele comandou o BNDES entre 2006 e 2007 em sucessão a Guido Mantega.

Fonte: Diário Tucano

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