Anastasia critica relação amistosa do Brasil com ditadura de Guiné Equatorial

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Um ditador sanguinário, que impede oposições e constrói sua fortuna sob a miséria da sua população. Essa é a situação de Guiné Equatorial, país com o qual o Brasil mantém relações diplomáticas formais e cujo indicado a embaixador foi sabatinado, nesta quinta-feira (16/04), na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) questionou a falta de uma posição firme do Brasil de repúdios aos atos praticados naquela nação.

“O que lá ocorre é tão grave que nos causa repugnância. A ditadura é tão sangrenta que o Human Rights Watch considera o presidente o pior do pior dos ditadores. Não existe oposição. Dos 100 deputados, não há um só da oposição. São 500 exilados. Ele é o oitavo governante mais rico do mundo pela revista Forbes. Se tratarmos questões relativas à democracia ou liberdade já há problemas. Mas há mais do que isso. Trata-se de um país que tem dentro dele tráfico de mulheres, tráfico de pessoas e de crianças renomado e apontado por organismos internacionais, uma situação muito delicada. É constrangedor o Brasil manter relações diplomáticas formais nesse caso, mas aparentemente há uma proximidade ainda maior. Manifesto, pois, repugnância forte pela ausência de uma posição firme do Brasil em relação à questão dos direitos humanos”, apontou o senador.

De fato, não é tranquila a situação do Guiné Equatorial. O país ocupa o 144º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Entre os “países de médio desenvolvimento”, é o último colocado. Segundo o Banco Mundial, sete em cada dez habitantes sobrevivem com menos de US$ 2 por dia. Menos da metade da população tem acesso a água potável e quase 10% dos nascidos vivos morrem antes dos cinco anos. Enquanto isso, o ditador Teodoro Nguema Mbasogo, na presidência há mais de 30 anos, tem uma fortuna avaliada em cerca de US$ 600 milhões.

“Nós brasileiros não podemos tolerar a situação lá exercida sob um povo que é praticamente irmão, não só pela origem, mas também, agora, pela própria adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Esse é só mais um motivo para sermos muito firmes e atuantes nesse pormenor, para dar, inclusive, ao Brasil a dimensão internacional no concerto das nações que ele merece em razão do cumprimento de algo fundamental, os direitos humanos”, defendeu Anastasia.

Número de embaixadas

O número de embaixadas em Países com os quais o Brasil tem poucas relações comerciais e que geram despesas desnecessárias também foi motivo de indagação de Anastasia durante sabatina na Comissão com o embaixador no Togo. Em tempos de dificuldades financeiras, o senador questionou o custo-benefício da manutenção do corpo consular em algumas nações.

“Qual pertinência de o Brasil manter embaixadas em tantos países do mundo, especialmente no momento atual, em que atravessamos grave crise econômica? Não poderíamos adotar o que já se adota em outras nações, que é exatamente a embaixada cumulativa? É um registro que deve ser feito exatamente para indagar, no momento que vivemos hoje, na crise que atravessamos, se de fato o senso de oportunidade e o juízo de conveniência recomenda a permanência de embaixadas em alguns países”, questionou Anastasia.

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