O motor do emprego rateia

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A taxa de desemprego só não está mais alta ainda porque muita gente não se animou a ir em busca de uma oportunidade de trabalho. Mas a situação já começou a mudar, para pior, avalia o Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos e formação política ligado ao PSDB. Confira abaixo:

Durante muito tempo, o governo petista achou que a relativa higidez do mercado de trabalho seria seu salvo-conduto para manter os experimentos de laboratório no resto da economia. Com o fracasso, não só teve que revogar seu malfadado modelo, como vê agora a ameaça do desemprego despontar no horizonte.

Os números da Pnad Contínua para o desemprego em 2014 não foram o fim do mundo: a taxa média manteve-se em 6,8%, abaixo dos 7,1% de 2013. Indicam, contudo, que desde o segundo semestre a situação do emprego no país já vem mudando, para pior. No quarto trimestre, a desocupação já foi maior (6,5%) que a do mesmo período de 2013 (6,2%).

A qualidade do emprego no país está se deteriorando. As vagas geradas têm remuneração mais baixa e caráter mais precário. Nos dois últimos trimestres, foram eliminadas 374 mil postos de trabalho com carteira assinada. “O mercado não está favorável à geração de vagas”, resumiu a coordenadora do IBGE responsável pelo levantamento.

A população desocupada cresceu 6,6% no ano, o que significa mais 400 mil brasileiros sem emprego. O mercado já não consegue abrigar os novos contingentes que chegam à idade adulta prontos para trabalhar: no ano passado, enquanto a população ativa cresceu 2,7 milhões, a população ocupada aumentou apenas 993 mil.

A taxa de desemprego só não está mais alta ainda porque muita gente não se animou a ir em busca de uma oportunidade de trabalho. É o desalento. Com os dias mais duros que despontam à frente, devem ser forçadas a fazê-lo. Sem vigor, a economia brasileira não será capaz de absorvê-los e os índices subirão, infelizmente.

A taxa de 6,8% coloca o Brasil entre os países com nível de desemprego entre intermediário e alto – no Nordeste, a marca bate em 8,3%. O índice nacional está bem acima, por exemplo, do dos EUA (5,7%) e da Alemanha (4,8%) e próximo aos da Suécia (7%) e do Canadá (6,6%). Quando Dilma Rousseff diz que temos “uma das menores taxas de desemprego do mundo”, mente, mais uma vez.

Nas regiões metropolitanas, a situação é mais grave. Segundo o Caged, no ano passado a geração de empregos no país caiu 64% na comparação com 2013. O setor que mais sente o golpe é a indústria, que registrou queda de 3,2% na criação de vagas em 2014: 164 mil postos foram fechados. Foi o terceiro ano consecutivo de baixa e o pior desde 2009.

Caiu, portanto, o último bastião no qual o discurso petista se fiou ao longo dos últimos anos para, contra todas as evidências, tentar sustentar que estava fazendo o que era correto. Com o país a caminho da recessão, a melhoria das condições sociais estagnada e a economia parada, a máscara caiu. A experiência falhou e a conta sobrou para todos pagarmos. Sem emprego, vai ficar ainda mais difícil.

Fonte: Carta de Formulação e Mobilização Política nº 1.080 do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

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