É estarrecedor conteúdo de depoimentos de ex-diretor da Petrobras, afirma Aécio

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O candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves, lamentou nesta sexta-feira (10/10) a reação da presidente Dilma Rousseff (PT), que disputa a reeleição, sobre os depoimentos relativos ao escândalo da Petrobras. A petista se indignou com o vazamento do áudio, não com o conteúdo criminoso das confissões do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa.

Para Aécio, Dilma deveria considerar assustador o conteúdo das declarações que vieram a público. “A presidente deu uma declaração que considera estarrecedor o vazamento desses depoimentos. Eu considero estarrecedor esses depoimentos, essa confissão de crime cometido sucessivamente e de forma contínua ao longo dos últimos 12 anos”, afirmou Aécio em entrevista à imprensa.

Para o candidato, o escândalo demonstra a inserção de um esquema de corrupção próximo ao poder central. “Assaltaram a maior empresa brasileira nas barbas desse governo e não há sequer uma reação de indignação da presidente. Ela está indignada com o vazamento, não está indignada com os depoimentos. Eu quero dizer a ela que nós, brasileiros, estamos indignados com o que aconteceu na Petrobras, e sabe-se lá onde mais, ao longo desses últimos 12 anos de governo”, acrescentou ele.

O depoimento de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal foi feito como parte da delação premiada acertada por sua defesa. Costa é investigado por participar de um esquema de pagamento de propinas e lavagem de dinheiro, que envolve também o doleiro Alberto Youssef. No trecho revelado pela imprensa, Costa diz que uma das pessoas que recebiam dinheiro desse esquema era João Vaccari, tesoureiro do PT.

Responsabilidade

Aécio destacou ser necessário ter responsabilidade ao fazer acusações, mas lembrou que o governo e o PT se opunham às tentativas da oposição de investigar as denúncias que chegavam sobre a Petrobras.

“Nós [da oposição] lutamos por uma CPI. O governo federal, a base de sustentação, os líderes do PT iam diariamente à tribuna para dizer simplesmente que isso era um jogo da oposição, que não havia nada, isso era um jogo político da oposição para desgastar o governo. Agora estamos vendo que a corrupção se institucionalizou no seio da nossa maior empresa”, afirmou o candidato.

Aécio destacou que, uma vez eleito, vai aprofundar as investigações e punir os responsáveis pelos desvios na estatal. “Agora, é o tesoureiro do PT, portanto que sustenta a estrutura partidária, acusado de receber esses recursos desviados da corrupção. É preciso que essas investigações avancem”, afirmou. “Se eleito presidente da República, vamos a fundo nessas investigações e estimular todos os órgãos que cumprem o seu dever constitucional”, afirmou, defendendo que “todos responsáveis possam ser processados e os culpados, exemplarmente punidos”.

Para o candidato, o PT e o governo dão um mau exemplo, deixando uma herança negativa para o país e para a sociedade. “Isso não é da tradição brasileira, essa não é a nossa norma de conduta. O governo do PT deixará péssimas heranças na área econômica, nos indicadores sociais”, afirmou, acrescentando que outra herança perversa do Partido dos Trabalhadores é sinalizar “para as novas gerações que politica se confunde com corrupção”.

Ambiente

Aécio afirmou ser fundamental criar um ambiente de segurança jurídica e de transparência fiscal no país, daí sua decisão de confirmar o nome de Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, como futuro ministro da Fazenda.

“Faço um esforço para sinalizar de forma clara, num ambiente de segurança jurídica, de previsibilidade, de transparência fiscal. Tudo isso é muito importante para que o ambiente pós-eleição seja um ambiente favorável. Esse ambiente será muito importante para que nós possamos resgatar os investimentos e a nossa capacidade de crescer”, destacou o candidato.

Aécio criticou o fato de a economia brasileira crescer menos que as de outros países latino-americanos. “No período FHC, mesmo com cinco crises internacionais sucessivas, nós tivemos o crescimento da economia brasileira no mesmo nível do crescimento da América Latina. O governo da presidente Dilma crescerá cerca de dois pontos percentuais, em média, menos do que cresce a América Latina. E a razão disso é a incapacidade interna de gerar confiança, de fazer com que os investimentos pudessem avançar no Brasil, de criar regras que fossem permanentes. É hora de nós mudarmos esse quadro”, afirmou.

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