Pimenta da Veiga destaca legado do Plano Real e alerta sobre retorno da inflação duas décadas depois

Fotos Leo Lara
Fotos Leo Lara

Poços de Caldas, no Sul de Minas, reviveu momentos históricos nesta quarta-feira (02/07). Foi nesta cidade, há exatos 20 anos, que a primeira nota do real foi trocada, marcando o início da circulação da moeda no país. O candidato do PSDB ao Governo de Minas, Pimenta da Veiga, personagem marcante na concepção do projeto, participou das celebrações das duas décadas do Plano Real e relembrou o cenário econômico anterior à moeda, quando a inflação corroía a renda dos brasileiros.

“Quero fazer aqui um paralelo entre épocas, como era o Brasil antes do real, e como é hoje. Nós já tivemos inflação de 2.500% ao ano. Isso parece hoje uma piada, mas era nossa rotina. A inflação destruía o planejamento, a inflação dá margens horríveis à corrupção, a inflação castigava a todos. Mas o que é pior, castigava, sobretudo, os mais pobres. Portanto, temos muito o que comemorar hoje, sobretudo, aqui em Poços de Caldas, porque o real foi lançado aqui em 1994, neste mesmo dia, há 20 anos”, destacou Pimenta que na época era presidente Nacional do PSDB.

O real entrou publicamente em circulação pelas mãos do então ministro da Fazenda e candidato à Presidência da República, Fernando Henrique Cardoso, que fez a primeira troca de notas em uma agência bancária de Poços de Caldas. No evento de comemoração, no Palace Hotel, o ex-presidente relembrou em vídeo os momentos marcantes da implantação do Plano Real, considerado o maior programa social já implantado em todos os tempos.

Aos jovens presentes, que nasceram no mesmo ano em que o plano e não conheceram a hiperinflação, Pimenta da Veiga prestou uma homenagem e alertou para o risco que o país vive hoje, com a atual política econômica. “O atual governo federal brinca com a inflação, permite que ela fuja do centro da meta, fique batendo insistentemente na margem superior da meta. Infelizmente, parece que no mês que vem ela ultrapassará a margem superior da meta, e com inflação não se brinca. Por isso, queremos fazer hoje uma barreira protetora do Plano Real”, afirmou o ex-ministro.

Durante as celebrações, Pimenta da Veiga defendeu ainda a criação de um Memorial do Plano Real em Poços de Caldas, para que simbolize na cidade o início de uma nova realidade para o país. “Precisamos lembrar de todo o esforço que foi feito para que o Brasil valorize o real. Precisamos garanti-lo e valorizá-lo”, acrescentou o pré-candidato.

Vivências com o real

Mais do que participar da primeira troca de moedas feita no município do Sul de Minas, Adílson Martins, 75 anos, hoje aposentado, foi o segundo brasileiro, após Fernando Henrique Cardoso, a ter na carteira as notas do real.

“Com a idade que estou, passei por todos os planos que não deram certo. Apostei no Plano Real, que foi feito por economistas sérios. Tenho em minha carteira a primeira nota de cinco reais. Digo que troco a carteira, mas não troco a nota. Hoje, infelizmente, não vale tanto quanto antigamente. O que se pode comprar com cinco reais? Hoje, dois quilos de tomate. Naquela época, um real era um dólar e dava para comprar muito pão, arroz, leite”, lembra Adílson.

O real tornou-se moeda brasileira em 1º de julho de 1994, mas o Plano Real, que incluiria a mudança da nova moeda, começou a ser arquitetado em 1993 pela equipe econômica do governo do então presidente Itamar Franco.

Juntos, os economistas definiram que o Plano Real seria dividido em três etapas. A primeira seria o ajuste das contas públicas, com um corte no Orçamento da União. A segunda seria a implantação da Unidade Real de Valor (URV), unidade monetária para desindexar a economia. Depois, a URV seria transformada em real, a nova moeda brasileira.

Após muita negociação, o Congresso Nacional aprovou o plano e as fases seguiram como foram planejadas. Nenhum anúncio veio de surpresa, não houve congelamento de preços e as medidas foram introduzidas aos poucos.

Em Poços de Caldas, personalidades políticas relembraram país antes e pós o projeto, que inaugurou novo ciclo de desenvolvimento econômico no Brasil
Em Poços de Caldas, personalidades relembraram antes e pós o projeto, que inaugurou ciclo de desenvolvimento econômico no Brasil

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