Algumas medidas, pelo seu simbolismo, revelam muito dos governos
Não me refiro aqui às notas publicadas pelos grandes jornais de circulação nacional que mostram o presidente Lula encomendando novos termos ao estilista Ricardo Almeida (veja aqui) ou telefonando ao empresário Eike Batista para se solidarizar com o seu filho pelo acidente, ao mesmo tempo em que não se manifestou à família da vítima do mesmo (veja aqui).
Podem parecer comentários preconceituosos, afinal, ao cobrar R$ 500 mil por palestras que proíbe o acompanhamento da imprensa, o presidente tem recursos mais que suficientes para pagar milhares de reais por um terno. Não há nada de errado nisso.
O que isso evidencia apenas é a hipocrisia do comportamento de parte de membros do PT.
Refiro-me, no entanto, à informação divulgada por uma reportagem da revista de domingo do jornal O Globo, do último fim de semana (veja aqui), que mostra que o BNDES do PT emprestou R$ 150 milhões para um empresário, no caso Eike Batista, investir num negócio particular, no caso, um hotel 5 estrelas.
É isso mesmo: o dinheiro público dos brasileiros financiando os negócios particulares do sétimo homem mais rico do planeta.
Imaginem se fosse em uma gestão do PSDB. O que não diriam os companheiros do PT que agora aprovam tal medida?
Lembro disso ao ler o artigo do senador Aécio e lembrar que o governo federal vetou emenda do senador, aprovada pelo Congresso, que previa que os repasses do Tesouro para o BNDES fossem discutidos no Parlamento. Em mais um gesto de descaso com o Poder Legislativo, para manter a sua caixa preta, a presidente Dilma vetou emenda dessa importância, aprovada por todos os partidos.
As novas medidas econômicas anunciadas foram alvo de críticas de vários setores da sociedade.
Da iniciativa privada, vieram as opiniões mais técnicas como a do presidente da Federação das Indústrias de São Paulo, Paulo Skaf, para quem o tal pacote não tratou das “medidas essenciais”.
Já o presidente da Associação de Comércio Exterior no Brasil (AEB), José Augusto de Castro, foi de uma precisão cirúrgica em sua avaliação sobre o que o PT chamou de “pacote”.
Para ele, as medidas petistas foram apenas “retalhos” e a indústria continua aguardando uma postura da presidente Dilma Rousseff que realmente ataque a causa do problema e não um governo que “está sempre mexendo nos efeitos”.
Na política, foram várias as manifestações de alerta e vieram de diferentes correntes como a ex-senadora Marina Silva, o senador Aécio Neves, o ex-ministro José Serra, dentre vários outros.
O governo federal – e o PT – fariam melhor se ouvissem o que diz o país.
Rômulo Viegas (PSDB) é deputado estadual