Ricardo Velez*
Publicado em 03-01-12
Terminou 2011 e a sensação que temos é de que as coisas ficaram a meio caminho. O País apareceu nos índices que medem o PIB como sexta economia do mundo, desbancando dessa posição a Grã-Bretanha. É um resultado relativo que para a sofrida classe média não se traduziu em grande coisa. Impostos e serviços básicos (como a eletricidade, que teve aumento significativo para bancar a “luz para todos”) aumentaram mais que o normal. Como tampouco houve melhora significativa para o chamado “povão” (as pessoas continuam morrendo nas filas do SUS).
Claro que os beneficiários dos programas sociais (Bolsa-Família e outras benesses) tiveram ganhos relativos. Mas de cunho precário, levando em consideração que não foram postas em prática políticas públicas que efetivamente os tirassem da pobreza, sem precisar dos subsídios estatais. Mais animador seria um passo à frente na recuperação da produção econômica, para garantir o crescimento sustentado da riqueza. Acontece que este ficou em praticamente zero no ano que se foi. E será muito modesto (se tudo correr bem) no ano que começa. Tudo por causa do mal de sempre: o estatismo, que nos afoga a todos. O custo da máquina pública é enorme e, de outro lado, a ação regulatória do governo dirige-se a tolher a livre-iniciativa, em decorrência, principalmente, da absurda carga tributária, que não diminui. Ao contrário, só aumenta: em 2011 o Leviatã comemorou a arrecadação de mais de R$ 1 trilhão!
Os lulopetistas, claro, atribuíram o sexto lugar alcançado pelo PIB brasileiro à sua “magnífica” gestão da economia. O fenômeno de aumento do produto interno bruto poderia, no entanto, ser interpretado, de forma mais realista, nos seguintes termos: o fato de os governos de Fernando Henrique Cardoso terem feito o dever de casa no que tange às privatizações e ao saneamento das contas públicas, aliado ao boom das commodities nos últimos dez anos, fez a produção nacional ser positivamente alavancada no contexto global, notadamente em decorrência da compra pela China dos nossos produtos de exportação (minério de ferro, petróleo e alimentos), em que pese a crise financeira europeia e norte-americana. A nossa produção cresceu por inércia – destacando-se o agronegócio. Palmas para os bravos produtores rurais, que conseguiam fazer frente às chantagens do governo em matéria de legislação ambiental e continuaram driblando, com grande sacrifício, as investidas dos “movimentos sociais” estimulados pela petralhada e pela CNBB (mencionemos, em especial, o MST e quejandos, que ao longo do consulado lulista se apropriaram de parcela significativa dos recursos destinados à agricultura familiar). É claro que Lula, ao longo do seu segundo mandato, conseguiu pôr freio à voracidade de Stédile e companhia, não para parar com a sangria do Tesouro, mas para destinar mais recursos aos “programas sociais” (Bolsa-Família e congêneres), que garantiram o triunfo da candidata petista nas eleições de 2010.
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